Como melhorar a eficiência da fazenda controlando os índices zootécnicos

Aumentar a produtividade e a eficiência da fazenda é um desafio cotidiano para muitos produtores no Brasil. Portanto, uma forma garantida de alcançar este objetivo é por meio do controle dos índices zootécnicos dos animais. A criteriosa coleta e analise de dados colhidos sobre cada animal é um recurso precioso para otimizar o manejo diário e aumentar a relação entre produção e lucratividade. A atenção especial aos dados zootécnicos se faz muito necessária frente à realidade da atividade pecuária no país.

Na produção de leite, por exemplo, o Brasil apresenta uma das menores produtividades do mundo, e são diversos os fatores que contribuem para este quadro. Embora a produtividade brasileira tenha dado um salto importante entre 1974 e 2015 (245,6%) – de 655 kg/vaca/ano para 1.609 para kg/vaca/ano – ainda há uma grande margem para aumento da produção e lucratividade a serem alcançados com a aplicação de técnicas mais modernas e tecnológicas de controle zootécnico. Atualmente, o setor já enfrenta a falta de mão-de-obra qualificada no campo, o que impacta nos custos finais dos produtos. A escassez de trabalhadores e os altos custos disto são tendências irreversíveis que implicam a necessidade de automação das atividades rotineiras e mudança no perfil do trabalhador rural. É surpreendente como o uso da tecnologia para o controle dos índices zootécnicos é capaz de apresentar resultados positivos na produção mesmo num cenário de escassez de trabalhadores especializados.

Por onde começar e o que registrar:

O controle zootécnico do rebanho é feito a partir de três fatores principais: leiteiro, reprodutivo e sanitário. Muitos produtores falham em terem anotações atualizadas de cada animal, o que dificulta muito o controle da produção. Para conhecer a situação reprodutiva inicial do rebanho, todos os animais aptos à reprodução devem ser submetidos a exame ginecológico para o diagnóstico reprodutivo de cada animal. Com base nos resultados, os animais podem ser separados em grupos de acordo com a condição reprodutiva e produtiva de cada um. As vacas, por exemplo, podem ser separadas em ao menos quatro grupos:

Fonte da tabela: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/65441/1/COT-54-Medidas-de-eficiencia.pdf

Com estes dados em mãos, o produtor deve definir quais são os índices desejados no curto, médio e longo prazo. O acompanhamento do registro dos dados fará possível as comparações futuras, que serão responsáveis por mostrar o resultado do trabalho empreendido. Além da situação reprodutiva, ocorrências sanitárias e produtivas tais como as da tabela abaixo também devem ser registradas:

Fonte da tabela: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/65441/1/COT-54-Medidas-de-eficiencia.pdf

Índices Zootécnicos

Ao montar uma base de dados zootécnicos real e atualizada, é possível o produtor fazer inúmeras análises da qualidade da produção e do estado da produtividade e lucratividade da sua atividade pecuária. Algumas destas comparações são:

• Percentagem de vacas em lactação (%VL): obtida dividindo-se o número de vacas em lactação pelo número total de vacas do rebanho, multiplicado por 100. Depende basicamente do Intervalo de Partos (IP), mas também da duração de lactação. A % VL ideal é de 83%, o que somente pode ser obtido com IP de 12 meses e duração da lactação de 305 dias.

• Intervalo de partos (IP): é o tempo decorrido entre dois partos consecutivos de uma mesma vaca, e corresponde ao período de serviço mais o período de gestação. Embora tenha suas limitações, o IP ainda é o índice mais utilizado para medir a eficiência reprodutiva, e com ele se pode estimar o potencial de produção leiteira.

• Idade ao primeiro parto (IPP): é um índice indicativo da eficiência dos sistemas de cria e recria de fêmeas leiteiras. Depende, essencialmente, do sistema de criação, da sanidade, do controle de ecto e endoparasitas, da raça, da alimentação, do manejo e da reprodução.

• Duração da lactação (DL): é o tempo em dias decorridos do parto até o final da lactação (secagem da vaca).

• Produção de leite por vaca ordenhada (PVO) e pelo total de vacas (PTV): Basta dividir a produção de leite diária pelo número de vacas ordenhadas (PVO) ou pelo número total de vacas do rebanho (PTV). Quanto maior, melhor, desde que obtida de maneira econômica.

• Período de serviço (PS): é o tempo decorrido entre o parto e a nova concepção, medido em dias.

• Período seco: o ideal é a secagem da vaca 60 dias (dois meses) antes da data prevista para o parto. Um período seco de 90 dias ainda pode ser aceito, mas se ficar acima de 120 dias é ruim.

• Porcentagem de prenhez: representa o número de vacas prenhes dividido pelo número total de vacas do rebanho (vacas prenhes mais vacas vazias), multiplicado por 100. Este índice deverá ser medido todo mês, para depois se tirar a média anual. Se ficar entre 75% e 80%, indica boa eficiência reprodutiva.

• Taxa de natalidade: é o número de bezerros nascidos vivos durante o ano dividido pelo número médio mensal de vacas (anotar o total de vacas a cada mês e no final de 12 meses calcular a média), multiplicado por 100. O ideal é ter 100% de bezerros nascidos vivos no período de um ano.

• Taxa de mortalidade de animais adultos: deve ser a menor possível, ou seja, abaixo de 1%. Em condições de produção de leite a pasto, com rebanhos acima de 100 cabeças adultas, pode-se aceitar até 2,0% de mortalidade destes animais.

• Taxa de descarte: em sistemas bem administrados, é desejável que as vacas sejam descartadas após a quarta cria ou lactação, pois com tal idade elas são vendidas no mercado como vacas leiteiras. Assim, deve-se descartar cerca de 20 a 25% das vacas ao ano, o que representa a taxa de reposição do rebanho.

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