É possível superar a crise? #carneforte

Após a grande repercussão negativa a respeito da operação Carne Fraca no Brasil, é chegado o momento de planejar estratégias para contornar essa crise. As notícias nacionais e internacionais evidenciaram não só a fragilidade do sistema, como também a falta de planejamento dos responsáveis pela condução da operação. Ao levar a público o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura em um esquema corrupto de liberação de licenças para frigoríficos, os delatores não imaginavam o impacto que essas informações teriam para a economia do agronegócio no Brasil, demonstrando desconhecimento acerca de setores fundamentais para a economia do país e evidenciando a especulação fraudulenta de certos agentes e empresas públicas.

O Brasil ocupa o ranking de segundo lugar na liderança de rebanho comercial e primeiro em exportações internacionais. A carne produzida aqui corresponde a 15% de todo o consumo do mundo. De fato, após o escândalo, o mercado ficou abalado e a confiança dos países que importavam nossos produtos foi afetada. Mais de cem nações suspenderam temporariamente a compra de carne do Brasil, após a divulgação da Operação Carne Fraca.

A operação não levou em consideração todos os esforços que os produtores, agricultores e cientistas tiveram ao longo dos anos para se posicionarem no mercado, lançou na mídia informações que generalizaram a imagem da produção da carne no país. Os números demonstram que se trata de uma manobra política, pois em dois anos de investigação, descobriram-se 21 unidades irregulares frente a um segmento que possui 4.837 frigoríficos. Além disso, associou apenas 33 funcionários suspeitos em uma cadeia que conta com mais de 11.000 colaboradores. Não se pretende questionar a perseguição legítima de corruptos no setor, questiona-se apenas a forma irresponsável com que esses dados foram divulgados na imprensa, servindo a interesse de terceiros.

No entanto, apesar de ter ciência de que nada permanece intacto depois de uma crise, é preciso aproveitar esse momento para revisar ações e projetar-se de maneira mais forte e competitiva no futuro. O mercado brasileiro já demonstra sinais de recuperação com ações e iniciativas que visam fomentar a guinada para o crescimento. O setor iniciou uma campanha que batizou de #carneforte, que conta com um plano de ações que pretendem recuperar a imagem do agronegócio internacionalmente.

Não se trata de fechar os olhos para as operações fraudulentas que foram denunciadas, a operação #carneforte pretende aprender com essa crise, aumentando a fiscalização sanitária dos grandes produtores e iniciar uma política de incentivo aos menores pecuaristas. A iniciativa busca mostrar que o maior problema não se encontra na qualidade da carne produzida aqui, mas sim, está relacionado ao sistema corrupto a que estão submetidas às negociações brasileiras.

Dentro dessa perspectiva, a previsão é de que a crise não se prolongue, uma vez que o mercado internacional também já percebeu que o problema é político e não se refere à qualidade dos produtos. Além disso, os pecuaristas têm como vantagem a forte competitividade no mercado e o fato de que nossa carne é saudável, estando livre de doenças como a “vaca louca”, e esses dados conferem ao Brasil a chance de barganhar e reconquistar o mercado.

Mais do que ficar lamentando o infeliz episódio e os grandes números de corrupção ligados ao setor político, é necessário que o agronegócio se fortaleça e possa usufruir da crise para melhorar a produtividade e expandir os campos de atuação no mercado. A gestão de precisão das cadeias produtivas e a renovação nas fiscalizações sanitárias são essenciais no processo. De acordo com especialistas, o Brasil e sua #carneforte têm potencialidade para reverter a crise e aumentar sua produção.

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