O bem-estar animal impacta na produtividade do seu negócio. Entenda como.

O bem-estar animal na criação para consumo é um tema ético que gera discussões em vários campos da sociedade e do mercado. Alguns produtores talvez ainda se perguntem se é realmente vantajoso, do ponto de vista financeiro, o abandono de práticas tradicionais de criação em prol do bem-estar dos animais. Contudo, este dilema é completamente falso, pois já existem séries de estudos comprovando que o investimento vale a pena: as empresas dispostas a oferecer qualidade de vida e tratamento humanizado às suas criações são aquelas que mais têm se destacando em sustentabilidade, geração de valor, oferta de empregos e incremento da qualidade dos produtos.

De acordo com a ciência, animais que desfrutam de condições de vida adequadas e confortáveis são mais produtivos. Animais bem alimentados vivendo em ambientes favoráveis, com alimento e água suficientes, são mais produtivos do que se estivessem confinados em espaços superpovoados, exageradamente quentes ou excessivamente frios, com pouca ou nenhuma fonte de nutrição. É comprovado que bois, aves e suínos expostos a condições estressantes têm muito mais dificuldade de ganhar peso, e o sofrimento imposto a eles antes do abate é prejudicial para a qualidade da carne. O estresse também faz com que vacas leiteiras produzam menos leite e galinhas poedeiras ponham menos ovos. Animais irritados brigam mais entre si, causando lesões e ferimentos, pois se tornam mais competitivos quando a comida e a bebida são escassas. Isso só contribui para o aumento dos gastos com tratamentos veterinários, e o percentual de perdas por mortalidade também é elevado nessas situações. Em outras palavras, o suposto “ganho” econômico que seria obtido com a superlotação e racionamento nutricional é pulverizado pelos problemas causados pela falta de condições razoáveis para o bem-estar da criação.

Felizmente, na atualidade, estão sendo banidos, cada vez mais, os alimentos e matérias-primas de origem animal produzidos em sistemas que maltratam a criação submetendo-a a condições degradantes. Os principais vetores desta mudança são o rigor na regulamentação sanitária dos países, as estratégias de melhoria do bem-estar animal na produção das grandes empresas e, principalmente, a preferência do público por produtos produzidos sem crueldade. Na última década, os países desenvolvidos, em especial os europeus, passaram a incluir o tema nos tratados e acordos de comércio internacionais. A própria União Europeia, desde 2009, adotou uma legislação específica, o Regulamento 1.099/2009, que estabelece padrões de tratamento animal para os países do bloco.

As grandes empresas mundiais do agronegócio já estão atentas ao assunto e reconhecem a dimensão estratégica do bem-estar animal para a cadeia global. Grandes empresas compradoras de carne, leite e ovos já procuram fornecedores que atendam às normas básicas de bem-estar da criação.

O consumidor também é peça importante para a mudança, pois estudos indicam que, no Brasil, por exemplo, 82% das pessoas disseram que comprariam produtos com selo de origem em animais criados sem crueldade. Esta preocupação é mais acentuada em jovens entre 18 e 29 anos, cujas decisões de consumo ainda impactarão o mercado por muitos anos.

Em adição, num mundo crescentemente interconectado, a exposição de práticas cruéis e degradantes na criação de animais pode ser fatal para a sobrevivência de uma empresa, pois os danos de imagem causados à uma marca associada aos maus tratos com os animais pode ser irreparável. Um único vídeo que viralize e seja disseminado pelas redes sociais é capaz de ser fatal para os negócios. Sendo assim, uma única coisa é garantida: o bem-estar animal impacta diretamente nos negócios agropecuários e é uma tendência que veio para ficar.

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