Quais fatores interferem no preço do gado?

 

Um dos maiores rebanhos comerciais de gado bovino pertence ao Brasil. Segundo a Farmnews, ao todo são 226 milhões de cabeças, ficando atrás apenas da Índia com 303 milhões de cabeças. Somos também o maior exportador de carne bovina do mundo, mesmo com o nosso consumo interno sobressaindo a exportação: cerca de 80% da nossa produção fica em casa. Entretanto, a produção em larga escala não significa estabilidade de valor. Tanto se tratando do gado vivo como em forma de produto final (carne), o valor da produção pecuária está sujeito a uma série de fatores.

Quando falamos do gado vivo, fatores transitam entre peso, raça, finalidade de produção e classe. Quando falamos do produto final, seu valor irá oscilar de acordo com o corte escolhido, a qualidade da carne, o contexto econômico e até mesmo o ICMS (Imposto sobre circulação de Mercadoria e Serviços) sobre o alimento. Nesse texto, você poderá conferir quais são os principais fatores que influenciam no valor do preço do gado.

 

>> Gado vivo:

 

A raça: a raça do gado influencia diretamente valor dele, pois cada raça apresentará características diferentes. A raça Angus é famosa por sua alta capacidade de fertilidade e resistência a enfermidades. Também possui um alto nível de precocidade, indo para o abate mais cedo que outras raças. Um touro dessa raça pode sair por R$ 8.000,00/animal. Já a raça Brangus é uma raça sintética, resultado do cruzamento entre a raça Zebu e Angus. Apesar da qualidade desse gado, o valor de um touro Brangus pode sair por R$ 4.500,00/animal.

 

A finalidade do gado: a finalidade do gado tem correlação direta com a raça dele. Raças como Nerole, Cangaian, Brahman e Tabapuã, por exemplo, são indicadas apenas para produção de carne em função da boa musculatura que apresentam. Já a raça Gir é mais indicada para a pecuária de leite. A raça advinda da Índia tem uma característica dócil e as fêmeas têm uma grande habilidade materna. A finalidade do gado, portanto, será outro fator determinante no valor do gado visto que produções diferentes demandam cuidados e estruturas diferentes para cada tipo de gado.

 

A classe: a classe diz respeito à idade/sexo do gado para um determinado tipo de produção e está categorizada em: touros (touros desmamados/recém-desmamados, touro de um ano, touro de 2 anos de idade, touro adulto, touro de Bolonha); vacas (vacas prenhas, vaca com cria, três-em-um, vaca para corte, vacas magras, vaca para o abate); novilhas (novilha prenha, novilha a ponto de prenhes, novilha com cria, novilha recém-desmamada, vitela) e novilho castrado (para a produção de carne).

Essas características também vão aumentar ou diminuir o valor do gado na hora da negociação. Um boi castrado pode ter um menor rendimento de carne e maior custo de produção.

 

O peso: o peso do gado é um dos fatores que mais vão influenciar no valor. No comércio de gado, o peso é representado pela arroba. Cada arroba representa 45kg (valor arredondado). Essa medida é importante na hora de negociar com o frigorífico, por exemplo. Um boi castrado pode ser abatido com 18 arrobas, enquanto um boi inteiro chega a atingir 20 arrobas. Em termos de valores isso é bem significativo, visto que a arroba hoje custa em média R$ 130,00 um boi inteiro irá atingir R$ 2.600 enquanto um boi castrado chega na casa dos R$ 2.340,00 a unidade.

 

Produto final:

 

Economia: essa tem sido uma das principais razões para uma alteração significativa de valor no mercado bovino. No contexto atual, por exemplo, a baixa demanda ocasionada pelo menor poder aquisitivo das famílias fez com que esse tipo de proteína fique cada vez menos presente no prato do brasileiro. Quando a oferta for maior que a demanda, a tendência é que o valor do produto caia e haja um recuo por parte das indústrias.

 

Controle de natalidade/abate: em um ciclo normal, há uma harmonia entre reprodução de vacas, nascimentos de bezerros e abate desses animais. Tudo a fim de manter a estabilidade de valores da carne bovina no mercado. Entretanto, um desequilíbrio nesse ciclo pode impactar diretamente no valor da arroba. Caso as vacas reproduzam mais, por exemplo, a consequência disso é um aumento na natalidade de bezerros. A oferta e demanda de bezerros se desequilibra sendo necessário aumentar o abate das vacas nos frigoríficos. Esse aumento na participação das fêmeas no abate pressionada a queda do valor da arroba, fazendo com que o valor da carne também caia no mercado.

Condições climáticas: as chuvas influenciam de forma direta do valor da arroba. Capins verdes e abundantes rendem animais mais pesados que serão abatidos mais cedo do que o programado. Produto em excesso faz o preço cair ainda mais. O produtor fica sem saída nessas situações cuja única solução é colocar o produto no mercado de maneira prematura. De maneira contrária, um período de estiagem com chuvas escassas e pastagem secas, a arroba do boi gordo chega a valores altos devido à baixa oferta da carne.

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